Sem empréstimo e com perspectiva de derrota, empresários abandonam campanha de Roberto Cidade
Sem empréstimo e com perspectiva de derrota, empresários abandonam campanha de Roberto Cidade Medo de calote e fracasso nos debates levam fornecedores a procurarem candidato adversário do governador tampão às vésperas da eleição
MANAUS (AM) – A poucos dias da votação do primeiro turno das Eleições 2026, a campanha do governador e candidato à reeleição, Roberto Cidade (União Brasil), enfrenta uma de suas maiores crises de bastidores. Um influente grupo de empresários e fornecedores do Governo do Amazonas decidiu abandonar o apoio financeiro e político ao projeto governista. O principal motivo é o acúmulo de meses de atrasos em pagamentos estatais, classificado nos bastidores do mercado local como um verdadeiro "calote institucional", arrastado desde as gestões anteriores.
O clima de descontentamento, que vinha sendo contido sob promessas de quitação, explodiu nesta semana após sucessivos reveses judiciais envolvendo a tentativa do Executivo de contrair um empréstimo bilionário junto ao Banco do Brasil. A verba era considerada a "bala de prata" para injetar liquidez no caixa do Estado, acalmar os credores e garantir o fôlego financeiro final da campanha.
A "bala de prata" que virou poeira na Justiça
O Palácio da Compensa apostava todas as suas fichas na liberação de R$ 1.462 bilhão. No entanto, após idas e vindas nos tribunais, uma nova decisão da Justiça Federal do Amazonas determinou a suspensão imediata da movimentação dos recursos.
A ação popular acolhida pelo juiz federal Ricardo Augusto Campolina de Sales apontou forte risco eleitoral, uma vez que a liberação dos fundos estava prevista para o dia 14 de outubro — exatamente no intervalo entre o primeiro e o segundo turno. Com o dinheiro congelado e sob a relatoria de órgãos como o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), os financiadores do projeto de continuidade entenderam que as promessas de pagamento não se cumprirão a tempo.
"Calote Institucional" sufoca empresas locais
Muitos dos empresários que agora debandam da campanha relatam que estão operando no vermelho devido aos repasses atrasados por parte do Estado. Ex-aliados políticos, como o ex-deputado Marcelo Ramos, já vinham a público alertar os prestadores de serviço sobre a fragilidade das garantias financeiras apresentadas pela coligação governista.
Sem o fluxo de caixa esperado e temendo o colapso de suas próprias operações comerciais, grandes fornecedores decidiram recolher suas equipes e interromper as doações de campanha, deixando os comitês de Roberto Cidade sob forte restrição orçamentária na semana mais crucial do pleito.
Risco iminente para o segundo turno
A falta de combustível financeiro atinge em cheio a estrutura de rua da coligação na capital e, principalmente, no interior do Amazonas. Nos últimos debates, adversários diretos como David Almeida (Avante) e o senador Omar Aziz (PSD) aumentaram o tom das críticas, vinculando a imagem de Cidade aos problemas fiscais e denúncias de contratos irregulares no Estado.
Com o teto de gastos asfixiado pela debandada empresarial e o avanço da oposição nas pesquisas de intenção de voto, analistas políticos locais já avaliam que a crise interna coloca em sério risco a ida de Roberto Cidade para o segundo turno.