Denúncia: Roberto Cidade fura fila do Sisreg em troca de voto

Denúncia: Roberto Cidade fura fila do Sisreg em troca de voto

Uma servidora da rede estadual de Saúde denunciou a existência de pressões para que determinados pacientes sejam priorizados na fila do Sisreg, passando à frente de pessoas que aguardam há meses ou até anos por consultas, exames e procedimentos.

Segundo o depoimento da servidora, que terá a identidade preservada, as solicitações chegam por telefone e WhatsApp e são encaminhadas por um servidor identificado como Francisco Júnior, ligado à Casa Civil. Ela afirma que os pedidos eram apresentados como demandas da Casa Civil, da primeira-dama, Thaisa Cidade, do próprio governador e de outras pessoas ligadas ao governo.

"Eles iriam pro rabo da fila. São autorizados agora porque são demandas do governador, da sede, da primeira-dama e nós temos que atender. A ordem é essa, né? Ou atende ou roda", revela.

A servidora relata que havia pressão para que os pacientes indicados fossem atendidos rapidamente, mesmo quando outras pessoas aguardavam havia muito mais tempo. "Quando intensificou a campanha, de julho pra cá, foi que começou. Tem como fazer, mas é ilegal", afirma em um dos trechos do depoimento.

Segundo ela, quem resistia a cumprir as determinações poderia sofrer represálias, como ameaça de exoneração, punição ou transferência.

Documentos
A denúncia é acompanhada de prints de Whatsapp, de documentos e planilhas que, segundo a servidora, registrariam essas solicitações. Entre as identificações que aparecem no material estão expressões como "DAMA-CASA CIVIL", "SOL DAMA" e "AUTORIZADOS CASA CIVIL DIA 21/09/2026".

A servidora também relata situações envolvendo pacientes que aguardavam atendimento relacionado ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), área em que há falta de vagas e longa espera.

De acordo com o relato, enquanto pacientes permanecem meses ou anos na fila, algumas solicitações encaminhadas por esses canais têm autorizações obtidas em poucos dias. Em determinados casos, em dez, cinco ou até dois dias.

"As pessoas que estão lá na fila já esperando, elas ficam lá, continuam lá esperando. O que vai acontecer com essas outras pessoas que já estão há um ano, há um ano e meio, ou dois anos até... eu não sei como é que vai ficar, porque bagunçou todo o sistema", lamenta.

O material foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), sob o protocolo nº 20260079014, para apuração dos fatos.

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