Alfredo Nascimento oferece o PL em bandeja de prata para Roberto Cidade
O tabuleiro político para o Governo do Amazonas em 2026 vive dias de intensa turbulência. No centro da crise está o Partido Liberal (PL), onde o presidente estadual da sigla, o ex-ministro Alfredo Nascimento, lidera uma movimentação que tem sido interpretada como uma "fritura pública" da pré-candidata oficial do partido, a empresária Maria do Carmo.
O "Namoro" com o Governador Interino
A crise se agravou com a ascensão de Roberto Cidade (União Brasil) ao cargo de governador interino. Cidade, que assumiu o comando do Estado após as renúncias de Wilson Lima e Tadeu de Souza, tem intensificado o diálogo com lideranças de diversas legendas para consolidar sua base na eleição indireta que definirá o "mandato tampão" até o fim do ano.
Alfredo Nascimento tem sido o principal articulador dessa aproximação. Fontes ligadas ao diretório estadual do PL indicam que o ex-ministro vê em Roberto Cidade um aliado estratégico para manter a influência do partido na máquina pública estadual. Nascimento chegou a sinalizar entusiasmo com uma "super-chapa" que uniria o União Brasil e o PL, onde Cidade encabeçaria a disputa em 2026, possivelmente deixando Maria do Carmo em segundo plano ou for a da chapa majoritária.
Racha no Interior e na Capital
Enquanto Roberto Cidade ganha força com o apoio de deputados estaduais do PL (como Delegado Péricles, Cabo Maciel e Débora Menezes), Maria do Carmo tenta manter sua base visitando municípios do interior. No entanto, o isolamento político imposto pela cúpula estadual é visível: em agendas recentes, a ausência de Alfredo Nascimento ao lado da empresária foi notada, evidenciando o abismo que separa a candidata do comando da sigla.
O que está em jogo?
Para Roberto Cidade, o apoio do PL de Alfredo Nascimento garante a governabilidade imediata e um arco de alianças robusto para a eleição geral. Para Maria do Carmo, a sobrevivência política depende de sua capacidade de resistir às pressões internas e manter o apoio da ala bolsonarista radical, que desconfia das alianças de Alfredo com grupos tradicionais.
O cenário permanece incerto, mas uma coisa é clara: a paz no PL do Amazonas acabou, e o preço dessa aliança com o governador interino pode ser a implosão da candidatura que o partido vinha construindo há meses.
