SOB A SOMBRA DA PF: Contratos milionários de família de Roberto Cidade acendem alerta de crise no Governo do AM
MANAUS – O Palácio da Compensa vive dias de intensa articulação de bastidores e visível nervosismo após novas denúncias envolvendo o governador interino do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil). A revelação feita por reportagem da Rede Amazônica/G1 detalhou a existência de contratos simultâneos que superam R$ 50 milhões entre o Estado e a empresa de transporte fluvial de sua família. O avanço do caso acendeu o sinal de alerta na base governista, que agora monitora com temor a possibilidade de uma operação da Polícia Federal (PF).
O Fantasma da Polícia Federal
A principal preocupação de secretários e aliados políticos não é apenas o desgaste de imagem na mídia, mas o preenchimento de requisitos que costumam atrair a jurisdição federal. Como as verbas de transporte escolar e segurança pública muitas vezes contam com forte aporte de fundos federais (como o Fundeb), parlamentares de oposição já ensaiam acionar órgãos de controle em Brasília.O receio de que o caso resulte em mandados de busca e apreensão ou em uma operação ostensiva da PF cria um cenário de paralisia institucional temporária, com secretários temendo assinar novos aditivos ou endossar medidas que possam ligá-los ao escândalo.

Reação Recente e a Blindagem Jurídica
Desde que assumiu temporariamente o comando do Executivo em abril de 2026, Roberto Cidade tentou adotar uma postura de distanciamento societário e governança preventiva. À época, o governador chegou a anunciar o cancelamento de contratos com empresas de seus familiares durante seu mandato provisório, buscando firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) para evitar a interrupção dos serviços. No entanto, interlocutores apontam que as novas revelações sobre o histórico de simultaneidade e os valores praticados fragilizam o discurso de completa lisura e trazem o passado empresarial da família de volta ao centro do debate jurídico.