Ministério Público investiga contas e fornecedores da AADESAM; devassa fiscal pode frear plano político de Roberto Cidade

Ministério Público investiga contas e fornecedores da AADESAM; devassa fiscal pode frear plano político de Roberto Cidade

O Ministério Público instaurou uma linha de investigação detalhada sobre os contratos, prestação de contas, fornecedores e a execução orçamentária da Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico e Social (AADESAM). A agência, que gerencia projetos estaduais expressivos, entrou no radar dos órgãos de controle devido ao crescimento vertiginoso de repasses financeiros e questionamentos sobre a transparência na aplicação desses recursos públicos nos últimos anos. O avanço da apuração ocorre em um momento de extrema sensibilidade política e fiscal para o Amazonas. O movimento do órgão de controle deve atuar como um forte freio político sobre as pretensões do governador tampão, Roberto Cidade (União Brasil), eleito indiretamente em maio de 2026 pela Assembleia Legislativa (Aleam). Cidade tenta consolidar sua imagem e viabilizar sua candidatura ao pleito geral de outubro.

O Labirinto Orçamentário da AADESAM

A AADESAM tem sido alvo de contestações sobre a clareza e prestação de contas de seus principais programas sociais e institucionais. Historicamente, o volume de recursos empenhados para a agência inflou de forma drástica, ultrapassando a marca das centenas de milhões de reais por ano. A seguir, os valores repassados à AADESAM durante o governo de Wilson Lima:

2019: R$ 64.625.681,74
2020: R$ 75.312.469,21
2021: R$ 136.889.760,78
2022: R$ 434.647.716,14
2023: R$ 331.112.562,01
2024: R$ 348.879.166,43 3
2025 (até agosto): R$ 207.455.423,33
Total geral: R$ 1.598.922.779,64

O Cenário Eleitoral em Jogo

A investida do Ministério Público promete dar munição aos adversários políticos em um cenário eleitoral que pesquisas locais apontam como altamente fragmentado. Embora Cidade tenha ganhado tração e crescido nas intenções de voto após assumir o comando do estado, o fantasma de irregularidades em agências de fomento e desenvolvimento atinge diretamente o núcleo político que dá sustentação ao seu governo. Analistas políticos da capital avaliam que a fiscalização rigorosa dos órgãos de controle exercerá uma vigilância constante sobre os contratos da administração pública neste ano eleitoral. A ordem expressa do Ministério Público é garantir que a máquina pública não seja convertida em uma vitrine de autopromoção ou desvio de finalidade.

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