Contratos de mais de R$ 80 milhões com empresas de Toco Santana deverão ser investigados
Manaus, AM – Entre 2020 e 2025, a Probank Segurança de Bens e Valores, de propriedade da esposa do atual prefeito de Borba, recebeu mais de R$ 81 milhões do Governo do Amazonas. O volume de repasses disparou justamente no período eleitoral de 2024, quando Toco Santana venceu com apoio de aliados do governador e de Roberto Cidade
Documentos oficiais do Governo do Estado do Amazonas revelam que a empresa Probank Segurança de Bens e Valores Ltda, pertencente à empresária Keila dos Santos Carbajal, esposa do atual prefeito de Borba, Raimundo Santana (Toco Santana), recebeu mais de R$ 81 milhões em pagamentos do Estado entre 2020 e 2025. Os dados levantados com base em relatórios da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-AM) mostram que os repasses à empresa cresceram consideravelmente entre 2022 e 2024 .

Em 2022, a Probank recebeu R$ 6,17 milhões do governo. Em 2023, o montante subiu para R$ 15,8 milhões, e em 2024, ano da eleição municipal em Borba, o valor saltou para R$ 19,9 milhões. Já em 2025, os pagamentos seguem em alta, com R$ 16,6 milhões já desembolsados até o momento.
Ao todo, entre 2020 e 2025, a empresa de segurança recebeu R$ 81.014.732,72 dos cofres públicos estaduais — recursos distribuídos por ao menos 12 secretarias e fundações. Os dados estão disponíveis para consulta pública no sistema da Sefaz.

Os principais contratos e pagamentos vieram da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), que repassou cerca de R$ 21,3 milhões; da Secretaria de Estado da Assistência Social (SEAS), responsável por aproximadamente R$ 15,3 milhões; e da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SEC), com cerca de R$ 13,9 milhões.
Indícios de Irregularidade
O volume financeiro e o formato dos contratos carregam três principais fatores de risco que atraem a atenção do Ministério Público (MP-AM) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM):
Assimetria de Mercado: Valores desproporcionais ao custo médio de serviços de vigilância e segurança privada no interior do estado.
Aditivos Justificados: Uso excessivo de termos aditivos para prorrogar e encarecer os contratos sem a realização de novas licitações.
Ausência de Efetivo: Fragilidade na comprovação do número real de vigilantes alocados nos postos de trabalho declarados pela empresa.
Próximos Passos e Desdobramentos
A Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) e blocos de oposição ensaiam pedidos de requerimento de informação para que a Secretaria de Estado de Administração (SEAD) e a pasta contratante enviem as notas fiscais e folhas de pagamento detalhadas da empresa. O caso pode evoluir para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o uso de terceirizadas como fachada para financiamento político.