Autazes gasta milhões com fretamento de aeronaves enquanto pacientes enfrentam buracos na estrada para tratamento
AUTAZES (AM) – O contraste entre as prioridades fiscais e a realidade prática da saúde pública no interior do Amazonas voltou ao centro do debate. A Prefeitura Municipal de Autazes fechou um contrato de grande porte — por meio do Pregão Presencial nº 090/2025 homologado em R$ 6.142.768,74 com a empresa Selenetur Agência de Viagens e Turismo Ltda — cujo objeto prevê o "agenciamento de logística", incluindo expressamente o fretamento de aeronaves . No entanto, na ponta do sistema, moradores locais relatam que o transporte de pacientes graves até Manaus continua sendo feito de forma precária por vias terrestres . Enquanto os recursos milionários cobrem despesas de deslocamento aéreo institucional, ambulâncias e veículos comuns enfrentam as duras condições de trafegabilidade da rodovia estadual AM-254 . Para quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS), a jornada até a capital é marcada por dor, solavancos e o risco iminente de agravamento do quadro clínico. O Contrato de R$ 6,1 MilhõesA licitação que originou o gasto milionário foi realizada sob a modalidade de pregão presencial . A vencedora, uma agência sediada em Manaus , ficou responsável por intermediar o fornecimento de: Fretamento de aviões e helicópteros Locação de embarcações fluviais Emissão de passagens aéreas e hospedagens para atender demandas da administração municipal . O montante total homologado chamou a atenção de órgãos de controle e da sociedade civil pelo fato de o capital social da prestadora de serviços ser consideravelmente inferior ao valor global da contratação pública registrada.

A Via-Crúcis dos Pacientes
Distante cerca de 113 quilômetros de Manaus em linha reta , o acesso terrestre a Autazes exige cruzar a rodovia AM-254 — que liga a cidade à BR-319 — e utilizar transporte de balsas . O percurso, que pode durar mais de quatro horas em condições normais , torna-se um martírio para quem precisa de atendimento médico urgente. Moradores locais relatam, sob condição de anonimato, que a remoção de enfermos graves para os hospitais de Manaus frequentemente esbarra na falta de suporte adequado. "A gente vê as notícias de milhões saindo para voos e transporte VIP, mas quando alguém infarta ou precisa de UTI aqui na comunidade, o paciente vai chacoalhando na buraqueira da estrada até o porto da balsa", desabafa um líder comunitário da região. A precariedade do transporte de saúde contrasta diretamente com o aporte financeiro recebido pela cidade. Recentemente, emendas parlamentares estaduais foram direcionadas especificamente para fortalecer a atenção básica e a saúde do município . Apesar disso, a falta de uma infraestrutura aérea constante para a remoção médica de urgência escancara gargalos na gestão dos recursos.
