Maria do Carmo quebrada -Notificada por inadimplência, dívida de R$ 193 milhões da Fametro ameaça futuro de milhares de estudantes no Amazonas

Empresária Maria do Carmo Lins é fiadora de operações financeiras, segundo documentos que apontam atraso em obrigação financeira, proposta de adiamento de pagamentos e garantias vinculadas às mensalidades dos alunos

Maria do Carmo quebrada -Notificada por inadimplência, dívida de R$ 193 milhões da Fametro ameaça futuro de milhares de estudantes no Amazonas

A empresária Maria do Carmo Seffair Lins, proprietária da Fametro e candidata ao Governo do Amazonas, enfrenta questionamentos sobre a situação financeira de seu grupo educacional. Documentos revelam um endividamento estimado em R$ 193 milhões, uma notificação formal por inadimplência e tentativas de renegociação dos pagamentos de investidores.

O cenário também coloca em evidência os interesses de milhares de estudantes matriculados na instituição, cuja continuidade acadêmica depende da manutenção dos serviços educacionais. A crise financeira de uma instituição de ensino superior pode ter consequências que vão além dos credores e acionistas. Em um cenário de agravamento das dificuldades, estudantes podem enfrentar incertezas sobre a continuidade dos cursos e, dependendo das circunstâncias, precisar buscar transferência para outras instituições.

A situação foi denunciada pelo reitor do Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (Ciesa), Waldery Areosa, que acusa a empresária de enfrentar uma grave crise financeira e questiona sua capacidade de administrar o Estado diante das dificuldades da própria instituição.

Na denúncia, Waldery Areosa também afirma que o patrimônio pessoal de Maria do Carmo saltou de R$ 14 milhões para R$ 118 milhões entre 2022 e 2026.

O reitor questiona a origem desse crescimento e levanta suspeitas sobre a destinação dos recursos captados pela Fametro. Ele também associa as dificuldades financeiras da instituição à candidatura da empresária ao governo estadual.

Fametro foi notificada por falta de pagamento

Um dos documentos mais relevantes é uma notificação enviada em 26 de maio de 2026 pela Oliveira Trust, instituição responsável por representar investidores de uma operação financeira da Fametro.

Na correspondência, a Oliveira Trust informa que o Instituto Metropolitano de Ensino (IME), mantenedor da Fametro, deixou de cumprir uma obrigação de pagamento vencida em 25 de maio.

A instituição recebeu prazo de um dia útil para regularizar o débito, acrescido de encargos. Caso contrário, poderia enfrentar o vencimento antecipado da operação, mecanismo que permite aos credores exigir o pagamento da dívida antes do prazo originalmente previsto, conforme as condições contratuais.

Mensalidades dos alunos foram dadas como garantia

Para conseguir os empréstimos, a Fametro ofereceu como garantia parte das receitas provenientes das mensalidades e matrículas dos estudantes, incluindo valores pagos pelos alunos do curso de Medicina. Os contratos também incluem recebíveis de cartões de crédito e, em uma das operações, imóveis vinculados ao grupo educacional. Na prática, isso significa que parte do dinheiro que a faculdade tem a receber dos estudantes foi comprometida como garantia do pagamento das dívidas, cujos vencimentos estão previstos até dezembro de 2034.

Dívida de R$ 193 milhões e tentativa de renegociação

As operações financeiras da Fametro somam aproximadamente R$ 193 milhões, sendo R$ 166,8 milhões em certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e R$ 26,3 milhões em outra emissão de notas comerciais.

Os contratos preveem juros vinculados à inflação e, em caso de inadimplência, multa de 2% e juros de mora de 1% ao mês, além dos encargos normais.

Em setembro, a Fametro apresentou uma proposta para modificar o cronograma de pagamentos. O plano prevê pagar apenas os juros, sem amortização do principal, em setembro, outubro e novembro de 2026.

Os credores se reuniram em 21 de setembro, 7 de outubro e 16 de outubro, mas suspenderam as deliberações nas três ocasiões. A próxima assembleia foi marcada para 4 de novembro, dez dias depois do segundo turno das eleições estaduais.

Maria do Carmo colocou patrimônio em risco

Embora os empréstimos tenham sido contratados pela Fametro, Maria do Carmo aparece como fiadora solidária das operações, juntamente com familiares e empresas ligadas ao grupo educacional.

Na prática, isso significa que a empresária também pode ser responsabilizada pessoalmente pelas dívidas, conforme as condições dos contratos.
As operações contam ainda com garantias imobiliárias e receitas da faculdade, incluindo mensalidades dos estudantes. Os imóveis avaliados em laudos de 2023 somam R$ 192,6 milhões.

Enquanto a Fametro enfrenta dificuldades financeiras e tenta renegociar uma dívida milionária, Maria do Carmo também mantém ligação com outra instituição de ensino superior em Manaus, a Faculdade Santa Teresa, localizada no conjunto Vieiralves. O marido dela, Wellington Lins, é o atual presidente da nova faculdade e Maria do Carmo é a vice.

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