Lixão de Manaus: Novas movimentações do lixão de Padre Bernardo reacendem alerta e expõe riscos na capital do Amazonas
Há ainda ofícios encaminhados a órgãos como IBAMA e Ministério da Defesa, além de representações que questionam a regularidade ambiental e fundiária da área.
Movimentações do maciço e vazamentos de chorume no local do lixão reforça ameaça de colapso em áreas precárias; em Manaus, lixão continua sendo expandido pela prefeitura sem licença, sob pressão de parlamentares e investigações
Um novo episódio de instabilidade foi registrado no lixão de Padre Bernardo (GO), área onde já havia ocorrido o desmoronamento de uma massa de resíduos em 2025. O incidente voltou a escancarar os riscos estruturais e ambientais associados à operação irregular de áreas de descarte no País. Após o colapso inicial e os deslizamentos subsequentes, o local foi interditado e deixou de receber resíduos, enquanto os responsáveis formalizaram o pedido de encerramento definitivo da atividade.
O caso passou a ser conduzido sob medidas emergenciais, com exigência de contenção de chorume, monitoramento contínuo do solo e da água e elaboração de um plano de descomissionamento e recuperação ambiental. O episódio reforça o alerta para situações semelhantes em curso — entre elas, a expansão do lixão da AM-010, em Manaus.
Na capital amazonense, o lixão continua sendo expandido pela prefeitura sem licenciamento ambiental completo, mesmo após embargos, autuações milionárias e uma série de ações judiciais e investigações abertas por órgãos de controle. O caso já mobiliza parlamentares, Ministério Público e entidades técnicas, em uma escalada institucional que questiona a legalidade e a segurança da obra.
Relatórios técnicos do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) indicam a ausência de licenciamento ambiental completo, sem emissão de Licença Prévia (LP), Licença de Instalação (LI) e estudos de impacto ambiental, exigências básicas para a ampliação de empreendimentos desse porte.
Mesmo assim, há registros de avanço das obras, inclusive com descumprimento de embargo ambiental e aplicação de multas que somam cerca de R$ 10 milhões, canceladas pelo presidente do órgão.
A mobilização política em torno do caso também se intensificou. O deputado federal Amom Mandel acionou órgãos de controle para apurar possíveis irregularidades, enquanto vereadores da Câmara Municipal de Manaus realizaram audiências públicas e encaminharam pedidos formais de informação ao Executivo — até o momento sem retorno integral.
Relatórios de fiscalização apontam ainda falhas operacionais relevantes, como resíduos expostos sem cobertura adequada e presença massiva de aves, evidenciando a manutenção de características típicas de lixão a céu aberto.
Além das irregularidades administrativas, técnicos alertam para o risco estrutural do maciço de resíduos, com potencial de instabilidade, contaminação do solo e impacto sobre recursos hídricos e saúde pública — cenário que o episódio de Planaltina ajuda a ilustrar de forma concreta.
O caso também mobiliza instâncias federais. O Ministério Público Federal apura possíveis danos ambientais e riscos à segurança aeroportuária, enquanto órgãos como ANAC, CENIPA e Infraero foram acionados diante da presença de aves atraídas pelo lixão nas proximidades do Aeroporto Eduardo Gomes.
Há ainda ofícios encaminhados a órgãos como IBAMA e Ministério da Defesa, além de representações que questionam a regularidade ambiental e fundiária da área.
Mesmo diante desse conjunto de medidas e questionamentos, a expansão segue em andamento.
“O que aconteceu em Planaltina mostra exatamente o que pode acontecer quando se insiste em operar ou expandir lixões sem controle técnico. Em Manaus, todos os alertas já foram feitos e documentados. Ainda assim, a obra segue sem licenciamento ambiental”, afirma Ademir Ramos, do Projeto Jaraqui.
Para ele, o cenário já ultrapassou o campo técnico. “O prefeito continua agindo à revelia das leis, ignorando embargos, fiscalizações, investigações e a mobilização institucional. É um risco anunciado”, conclui.