Enquanto governo prega “austeridade” para professores, Seduc-AM fecha R$ 45,7 milhões em cadeiras
Um forte contraste entre o discurso de economia e os gastos reais do Governo do Amazonas acende um alerta na gestão da educação pública estadual. Três contratos assinados pela Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc-AM) revelam o investimento massivo de R$ 45,7 milhões de reais voltados exclusivamente para a aquisição de cadeiras escolares.

Os extratos — que correspondem aos contratos de número 178/2026, 179/2026 e 180/2026 — chamam a atenção pelo montante financeiro em um período marcado por duras cobranças por parte dos servidores públicos.


Austeridade para quem?
A liberação das cifras milionárias ocorre no exato momento em que o governador fala em "austeridade fiscal" e rigor com as contas públicas. Essa justificativa tem sido frequentemente utilizada pela gestão estadual para frear ou adiar os reajustes cobrados pelos professores da rede de ensino, que foram às ruas exigir a devida correção da data-base da categoria.Para os educadores, a conta não fecha. Enquanto o teto de gastos é apontado como barreira intransponível para garantir direitos trabalhistas e valorização salarial, o caixa do Estado demonstra forte fôlego para firmar contratos de fornecimento de mobiliário em larga escala.

Falta de planejamento
Além do choque de prioridades, especialistas e líderes sindicais apontam que o cenário escancara uma severa falta de planejamento por parte da Seduc-AM e do Executivo.
Críticos da atual administração destacam que o investimento em estrutura física é necessário, mas a concentração de gastos em contratos específicos — sem que problemas crônicos de pessoal e defasagem salarial sejam sanados primeiro — indica uma gestão que atua de forma reativa, sem um cronograma integrado para o desenvolvimento da educação.
O sentimento entre os profissionais do setor é de que o "governo tampão" prefere investir em bens materiais visíveis a valorizar o capital humano que move as salas de aula diariamente. Com a pressão popular aumentando e os contratos publicados, a Assembleia Legislativa e os órgãos de controle financeiro devem ser acionados para acompanhar de perto a execução e a transparência desses R$ 45,7 milhões.